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O dia predestinado

Saímos de casa bastante animados, rumo ao desconhecido, numa busca de encontrar belos espaços naturais onde pudéssemos nos maravilhar e dar graça. As temperaturas subiam a 35/36 graus C. Seguimos em direção ao rio Tejo, e fomos confrontados com uma tenebrosa realidade. Fábricas e casas e fábricas e casas e fábricas. Enormes. Muito pouca vida selvagem. Logo depois, quilómetros e quilómetros de plantações de tomate ao longo do rio. Vimos grandes recipientes de produtos químicos usados ​​para tratar os tomates. O rio, os animais e as pessoas que vivem nas proximidades certamente sofrem sem saber com isso. Uma visão triste. E preocupante. Com campos e campos para feno dando~nos um toque visual de um deserto sem vida.

Embora muito grande para mim, esta é uma pequena escala do que acontece em todo o mundo.

A água do rio parecia impura, mas muitos animais vivem, bebem e banham~se nessa água diariamente.

Eventualmente chegamos a um lugar onde podíamos ver criaturas magníficas e verde ao redor. Mas além desse oásis, não havia nada além de poeira, tomates e calor.

Eu estava desolada e com saudades de casa. Aqui sinto que posso servir a um propósito maior. Que a um nível microscópico, eu talvez possa fazer a diferença. Dizem que "longe da vista, longe do coração" mas para mim, estas imagens são uma realidade presente que accionam emoções pesadas.

Reflectindo com honestidade, eu realmente desejo olhar para trás na minha vida e saber que talvez eu não tenha feito tudo o que podia, mas que fiz algo de valor e significado para contribuir para um mundo melhor. Que eu me esforcei para sempre melhorar a mim mesma e diminuir o meu impacto neste Precioso Planeta.

Mas a minha fé foi abalada ontem e com o coração torto eu temo tanto quanto saúdo o dia predestinado. Neste momento estamos a caminhar rapidamente para o que será um fim doloroso. Mas este rapidamente acontece de forma lenta e sofridamente. Assim o sinto mesmo que a minha prática diária seja procurar sempre a beleza em tudo. Começa a não ser fácil.

~~ Ana ~~


The fated day

We left home quite excited, heading towards the unknown, seeking to find beautiful natural spaces where we could marvel and give grace. The temperatures were soaring the 35/36 degrees C. We headed towards the river Tejo, and we were confronted with a tenebrous reality. Factories and houses and factories and houses and factories. Huge ones. Very little wild life. Soon after, kilometres and kilometres of tomato plantations along the river. We spotted large containers of chemicals used to treat the tomatoes. The river, animals and people living nearby surely suffer unknowingly by this. A sad view. And a concerning one. With fields and fields for hay purposes giving us a visual touch of a lifeless desert.

Although extensively large to me, this is a tiny scale of what goes on worldwide.

The river water seemed unclean yet so many animals live, drink and bathe in this water daily.

Eventually we reached a place where we could see magnificent creatures and green all around. But beyond this oasis, there was nothing but dust, tomatoes and heat.

I was desolated and longing for home. Here I feel I can serve a higher purpose. That on a microscopic level, I may make a difference. They say "far from sight, far from the heart", but for me these images are a present reality and they trigger heavy emotions.

Refleting honestly, i truly wish to look back on my life and know that maybe i did not do all i could, but that i have done something of value and meaning to contribute to a better world. That I strive to always improve myself and lessen my impact on this Precious Planet.

But my faith was shaken yesterday and with a bent heart I fear as well as I welcome the fated day.

Right now we are rapidly moving towards what will be a painful end. But this quickly happens slowly and painfully. This is how I feel even if my daily practice is to always look for beauty in everything. It starts to not be easy.

~~ Ana~~


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